Um aperto desconcertado em mim
E uma vontade de permanecer imóvel
A vida é feito um quebra cabeça
As peças são infinitamente encaixadas em cada parte de nós
De vez em quando...
Uma angústia, um aperto...
Um caos por dentro ...
O corpo estremece
A cabeça feito pipa no ar
No peito uma enorme vontade de dizer
Talvez eu tenha sido mal comigo
Talvez eu tivesse medo de admitir
Minha cabeça é fogo sem tempo
Uma viciosa ciranda musical
Eu a vejo em cada música que agrada meus ouvidos
Gosto de sentir a poesia que ela me causa.
"Eu nunca pensei que pudesse querer..." Sérgio Sampaio
O olhar sobre teu corpo era preciso
Era preciso prever por entre minhas partes
O que acontecia comigo
Eu nunca pensei que pudesse querer
Talvez eu não quisesse querer alguma mulher
Talvez eu não soubesse o que me acontecia naquele instante
Ou talvez eu soubesse e quem sabe não quisesse
Ou quisesse mas não pudesse
Teu corpo malemolente e branco deslizava sobre o chão
E, em doses alternadas, meu olhar embebedava-se quando passava nos teus
De olhos em direções desordenadas e sorriso envergonhado no ar
A mulher, ou melhor jovem, vinha a me distrair pela aparente inocência e timidez nas rosadas bochechas que enxiam no seu sorriso curto enlatado de cima abaixo
Meu corpo já não comportava os membros e órgãos como antes
A excitação era imediata
Meus lábios contorciam quando meu olhar encontrava o teu
Talvez eu quisesse querer alguma mulher
Talvez eu soubesse o que e acontecia naquele instante
E quem sabe quisesse
Quisesse mas não pudesse
Talvez azul seja a cor mais quente...
Uma janela azul de frente ao balcão, que estava debruçada, era o portal para o salão
De lá podia ver os casais dançando, cabelos que balançavam, pernas se roçavam
O som era arrastado e sincopado na sanfona da máquina que durante a noite engolia cédulas e pedidos musicais
De cabelos cacheados e amarelados a jovem avança para dentro do bar
Seu desejo da noite já havia abraçado e tudo parecia estar tranquilo
Quando na segunda música a ideia de surpreender com o uso provocativo muda o clima do recinto
A novela iniciava o capítulo que poderia ser o último ou o primeiro
Meu olhar a observar a cena e as personagens que eram colocadas sem que fosse preciso uma seleção na cena, estava atento e nada podia o fazê-lo piscar
O choque quando dirigia a janela azul fez com que lhe travasse a fala
Logo um soco no peito era dado e de modo quase que automático veio com a reação de repulsa
Ela queria... Queria beijar, beijar ele, o cara que ela não tinha flertado naquela noite
Ele, talvez quisesse provar o que não necessitasse de prova
Seu olhar surpreso e decepcionado ao vê-la do espelho
Não podia imaginar tal reação, sua cara estampava a máscara da tristeza
Logo não se podia ouvir o som, a dança com a moça no salão já não mais compassava
Em um passo galopado veio na direção da janela e avançou para certificar do que acontecia naquele lugar
Todos já faziam parte da cena, seus amigos, amigas, transeuntes e até mesmo o dono do bar
Que observava atentamente toda aquela cena, como um diretor, que reduz o som quando preciso, encerra o expediente e até mesmo leva seus atores para casa
O jogo da sedução iniciava naquele instante
Os cabelos cacheados eram enroscados a barba grande e preta do cara branco que parecia não ser daqui
Os estalos dos lábios e o respirar que atravessava os beijos podiam ser ouvidos por quem estava próximo
De longe seu flerte preparava-se para entrar no jogo
E o pedido de novos jogadores foram feitos
De azul feito a janela, o time do homem se estabelecia
De cabeleira crespa, olhar singelo e um corpo que bailava levemente no salão
A bela negra se lançava no palco e logo escolhia a que time fazer parte
O jogo estava iniciado, se de um lado os beijos eram enroscados por entre os cabelos, do outro as mãos alcançavam e mexiam por entre o couro cabeludo
As mãos brancas e riscadas do barbudo que a beijava percorria as vias sinuosas de seu corpo
O dedilhar das mãos negras também percorria o azul que vestia o outro time
O balançar da dança e o compasso sincopado fazia recomeçar o jogo
Quatro por quatro, dois por dois... os corpos se embalavam e cada vez mais enroscavam-se
Eram misturados aos beijos molhados... aos dedos que percorriam os corpos
O corpo de jurados não sabia a quem merecia o troféu
Se um defendia o passo de uma dança o outro defendia o molejo da outra dupla
O jogo se estendeu... o suor deslizava sobre os corpos... mais um gole, mais uma dose... cada dupla fazia seu pedido
O descanso era preciso ... o etílico derrubava-os no jogo... o empate foi colocado
A jovem se despediu dando um beijo, que não lembraria depois, no seu adversário antes partida... talvez o jogo tivesse encerrado...
Pela manhã acordara com o gosto de sono dos beijos do outro rapaz
A tarde ao som dos tambores da orquestra encontrara o elenco e de lá iniciaria um novo capítulo... Mas dessa vez eu não estava por lá...
De vez em quando é preciso fazer o que se tem vontade
Mesmo que não possamos (vi)ver novos capítulos com velhos atores
No próximo capítulo tudo pode mudar
No próximo capítulo tudo pode
No próximo capítulo
No próximo
Quem sabe eu assista novamente.
Sobre uma noite no balcão de frente a uma janela azul que mais parece uma televisão... talvez eu tivesse mesmo visto uma novela.
“Uma dose da sua voz em meus ouvidos... Quero outra”
Teu corpo cambaleava
destilado pelas doses de álcool da noite
Um olhar quase que
distante em mira ao que acontecia na festa
A voz marcante e a
expressão da boneca artista era colocado no palco
Palco de linhas
invisíveis que acolhia as várias possibilidades de expressão
O canto suave e ao
mesmo tempo arrepiador me sufocou as entranhas
Seu timbre, sua
estética tudo era misturado num liquidificador de segredos
O encantamento era dado
compulsivamente a cada palavra que saía dos lábios dela
Da beleza que era torta
e arrematadora
Uma metamorfose
desenvolvia dentro de mim
Aos poucos me sentia
presa em tudo que poderia sair da tua boca
Os lábios se abriam e
movimentavam-se com a música
A excitação era
medida pelo meu desejo de ouvi-la um pouco mais
De alguma forma aquela
voz me batia de frente
E meu olhar não mais
desviava-se na imensidão
O foco já era preciso
Meu olho cego conduzia
a mira
E sua voz me levava
para mais perto
De lá podia ver todo
seu corpo e sentir tua voz no meu cangote
E até perceber quando
ela cambaleava entre os tons
Já não podia mais
desviar-me dali
A mira já estava feita
Destilei em doses o
sangue que corria em minhas veias
E embebedei-me...
Misturando a doses de cerveja e tragos compulsivos
E o clarão aos poucos
ia tomando conta do teto que de nada por cima era coberto
Da mulher que chegou na
claridade da madrugada
Quando o sol ainda não
havia acordado
E o céu estava em
mutação de cores
E cantou como os
pássaros... como os pássaros que me invadem meu lar
A minha vontade era de
admirar-te sem que pudesse me notar
Mas as palavras que de
mim brotam sem medida não quis que isso ficasse guardado
O etílico que domina a
cabeça nesse momento me fez vomitar em poucas palavras o que havia
sentido naquele lugar... Lugar que quero voltar e logo
Nesse lugar que é
criado quando ela cospe embebedada os versos da última canção.
O sol já está a
nascer. Meus olhos lutam para vê-lo.
A gama de cores parece
como lá... mas o som daqui é outro
Talvez eu quisesse
ouvi-la um pouco mais
Ou talvez eu quisesse
ouvi-la agora
Talvez quem saiba um
dia eu possa novamente
E assim destilar todo
meu corpo em doses de partituras a conta gotas, num compasso em que a
divisão não seja tão precisa e as tonalidades sejam tão mutáveis
como as cores que avisto do céu nesse instante.
"Acabei de achar uma curva na sua linha reta" (Sex Beatles)
Seus cachorros ao redor da cama fazem de travesseiros seus peitos
Duas maçãs, dois cachorros, duas pessoas
Dois olhos... ou melhor um só
Duas armas...Duas mamas... Duas tetas...
O alvo em círculo é colocado no jogo
Pego o dardo e lanço pela fresta da janela
Nunca sabemos se vamos acertar...
Nem se vamos continuar no jogo...
Mas abrir a tela e poder admirar o alvo também é jogar
De vez em quando é preciso guardar... agora minha janela está mais interessante
A fotografia na tela é sua!!!
Me debrucei sobre o teclado que não derramava notas em meus ouvidos
Mas que ligado a sua janela artificial me dava uma bela imagem à vista
Ao redor um jardim com cerejeiras
Um olhar... uma caixa preta... um sentimento por segundo.
Pelo retrovisor a mira no alvo. É difícil acertar!
Olhos fechados
No lugar que às vezes eu não me caibo
No lugar que eu ouço, que eu coço, que eu durmo
No lugar que eu não sei se é meu
No lugar entre o que eu lembro e o que eu fiz
No lugar que descansa com doses etílicas
No lugar que se chega com um velho trago
No lugar que eu talvez não me queira mais...
No lugar onde estou quando... talvez eu não queira mais
No lugar onde estou quando... talvez eu não queira
No lugar onde estou quando... talvez eu não
No lugar onde estou quando... talvez eu
No lugar onde estou quando... talvez
No lugar onde estou
No lugar
Quem sabe seja errado está aqui. Quem sabe eu queira ficar. Quem sabe eu não saiba o que queira.
"Depois de fechar os olhos ninguém é ninguém"
Tenho medo
Acordei
com gritos em meus ouvidos. Levantei e coloquei meus cachorros para
fora. O ar estava frio e o rádio ainda tocava desde a noite passada.
A TV ligada transmitia a mensagem do homem que se diz servo de Deus.
Desliguei. Repousei novamente. A música é jazz, a voz é grave, e
tudo que me toca são as aplicações sonoras que a voz humana pode
encontrar com a base instrumental e como aquilo tudo me envolvia de
um modo que eu não sabia explicar, mesmo não entendendo o que
poderia me dizer aquele idioma. Eu sempre converso comigo, de vez
em quando acordo porque acho que estou conversando com outra pessoa.
Alguns gritos me sufocam e me acordam em muitas noites.
De
vez em quando eu entro em lapso, tenho vontade de vomitar e minha
cabeça dói, é difícil levantar, como se eu rolasse de um lado
para o outro e nada pudesse melhorar meu corpo naquele instante, a
não ser esperar passar. Falta-me o equilíbrio. Às vezes é preciso
um cigarro, ou apenas um trago. Sacia a vontade, ou talvez engane a
meu corpo viciado. O som ligado ameniza sempre. Logo me sinto tomada
pela música e as vozes parecem sumir; um descuido ou apenas o
intervalo de uma para outra, logo escuto novamente, logo me atento a
ela, e, em muitas vezes, me sinto mal por dentro, por não me
encontrar em mim, sempre achando que talvez eu não saiba viver de
verdade e que talvez eu seja uma piada simpática e que as pessoas
não podem me dizer o que é real.
Os
cachorros brigam do outro lado da porta, seus latidos e arranhões
incomodam. Dou dois gritos entoando seus nomes e aos poucos o som e
os latidos vão sumindo. Levanto, vou lavar o rosto. Uma enorme
vontade de olhar o que é a minha imagem me faz passar vários
minutos de frente ao espelho, com os braços adormecidos na pia
branca e gelada, aspirando aquele cheiro de banheiro, uma mistura de
flor do campo com pinho. Eu saio com as mãos encobertas de formigas,
que aos poucos vão dando lugar aos dedos que retornam ao seu
movimento natural.
Aumento
um pouco o volume do rádio. Ao lado dos meus cachorros, sento. Dou
um trago, bebo um pouco de leite e volto a deitar. O sono não
chega... Retorno ao espelho e observo os meus olhos, tem gente que
diz que eu vivo falando com eles, sempre quis conversar com os meus,
mas nunca consigo expressar o que eu digo para outras pessoas na
frente do espelho. “Como meus olhos podem falar se apenas um
consegue enxergar? Como eu posso falar com os meus olhos?”
O
céu vai deixando a escuridão e uma cinza fumaça de frio chega,
carregada de uma chuva que permanece por aproximadamente umas duas
horas. O som dos pingos de água era misturado aos desejos que eu
havia planejado quando chegasse aos vinte e sete anos. O estado de
conformidade que meu corpo está enquanto espera a morte. E o que meu
pensamento busca quando pensa no que seria o amanhã em que eu não
poderia estar. Fico a perguntar “quem fumaria aquele cigarro se eu
morresse ainda tragando? Quem colocaria a comida para os meus bichos?
Quem tocaria meu violão para que ele não ficasse calado? Quem
amaria minha família?”
Quando
tento falar de morte com as pessoas, sempre o assunto fica curto e
logo se tangencia para outro diálogo. E muitas perguntas se repetem
diariamente. “Se eu morresse?! Como será que as coisas ficariam,
se eu morresse?”
De
vez em quando eu fico me perguntando se hoje vai ser o último dia da
minha vida. Se estou vivendo intensamente o meu último dia. “Será
que vou morrer hoje? Porque morreria? O que eu fiz até agora para
merecer viver tanto?” Desde criança que eu penso nas
possibilidades de morrer. Suicídio, acidente, doença... Nunca se
sabe o que pode acontecer. Na minha adolescência, quando discutia
com minha mãe, pensava sempre em pular de algum lugar e morrer.
Certa
vez fugi de casa por ter aprontado – acredite, pela primeira vez –
na escola, e estava levando um comunicado para minha mãe ir até lá.
Acho que foi a primeira vez que pensei em morrer, talvez eu tenha
morrido por uns instantes ao procurar meu pai, o que foi em vão. No
final das contas, minha mãe me achou e conversamos, dias depois ela
me falou que meu pai pediu para que eu não o procurasse. Essa foi a
segunda vez que eu morri. Eu acho que na vida nós morremos e
ressuscitamos várias vezes.
Quando
eu nasci fui abençoada por quatro avós de criação que cuidavam da
minha mãe. A morte de cada uma delas me fez perder um pouco da minha
vida, e dessa morte eu não ressuscitarei. Um pedaço da gente sempre
morre quando alguém que amamos nos deixa. Eu também já perdi
outras partes, mas não sei dizer. Apaixonei-me tantas vezes e nessas
paixões morri outras tantas, morria de felicidade, tristeza...
Morria de vontade que tudo fosse para sempre, mas nunca era. Aprendi.
Há
alguns meses eu tenho me sentindo com a morte, do meu lado ela
caminhou, até me fez vê-la novamente, e meus amigos longe dela
ficaram. Os poucos que confiava, nem me procuraram, acho que eles
têm medo da morte. Por isso, me sinto com ela quando eles estão
longe de mim.
A morte sempre vem quando me sinto só, quando os
amigos não são amigos, ou talvez não sejam por um tempo. Tenho
medo de chegar sozinha na morte, mas sei que sempre vamos sozinhos,
nascemos sozinhos e assim morremos. E essa talvez seja a única
independência que temos, a tão sonhada liberdade de ser.
Ninguém
me conhece de verdade, eu acho que nem eu sei quem sou realmente. Ou
talvez todos sejam assim como eu, ora consciente ora ignorante. Não
sei se o que sabem de mim é suficiente, mas também não sei se as
pessoas precisam saber mais do que elas sabem. Eu sei que tenho medo
de não fazer o certo, e mais medo de não saber o que é o
certo.
Tem dias que saio de casa e vejo o olhar dos meus cachorros
a pedir que eu não vá. Às vezes eu acho que não tenho que ir, mas
vou. Deixo-os presos em minha casa, tomando conta. Acho que eles
tomam conta de mim, por isso sempre volto.
Eu
vivo pensando em morrer e tenho medo. Medo de não saber o que há
além. Eu não sei o que me vai acontecer. Não sei! Tem horas que
quero mandar todos se ferrarem, inclusive eu. Já pensei em tantas
coisas para me matar que não saberia contar. Mas nunca o fiz, por
medo.
Talvez o seja o medo que me mantém viva. Tenho medo de
muitas coisas, medo de baratas, medo de não ter a quem amar, medo de
não poder ouvir e mais ainda de não ser ouvida, medo de não poder
embriagar-me, medo de pessoas, medo de mim, medo de ter medo...
MEDO... MEDO... MEDO!
Meu corpo se desconforta e um grito
compassado é dado pelo meu medo. O medo de não saber o que é
AMANHÃ. O que iria me acontecer após isso tudo, se eu morresse
agora? Ou talvez amanhã? Como seria o amanhã depois de amanhã? O
maior medo é não saber quando vai ser o último hoje. Tenho medo.
"A vida é feita de pedaços do céu" Ave Sangria
"Vamos dançar, luzir a madrugada. Inspiração pra tudo que eu viver" Lulu Santos
Eu não sei o que pode ser
Nem onde quero está

É uma confusão
Um desconserto
Concertado com tua voz doce
Quando meu olhar tem medo de não resistir ao teu
Quando meu corpo tem medo de não resistir ao teu
Quando meu beijo tem medo de não resistir ao teu
O que afasta é medo
Medo de não ser
Medo de fazer errado
Medo do que eu não sei
Em seu leito eu me deito
E lá eu quero repousar
E poder sentir tudo aquilo que guardei pensando em ti.
Deitei e te vi dormir...
Peguei em tua mão para me sentir melhor...
Conversei com você e me fez mais feliz...
Acertou o passo que eu descompassava no salão...
Quem sabe você me queira
Quem sabe eu aprenda o caminho
E de repente possa te levar em uma dança
Me dá sua mão?!
"Meu bem vamos dançar até o dia amanhecer
Meu bem vamos cantar e vamos ver o sol nascer
Já não importa onde estamos
Do seu lado é bem melhor"
Às vezes é preciso madrugar pra não sonhar com você
Em teus lábios penso em adormecer minha língua
Seu olhar refletido no espelho do carro é o sinal amarelo da tua atenção a mim
Um desconserto...uma confusão
Talvez eu não entenda o que dizes
Talvez eu não saiba como dizer/fazer
O calor dos corpos
A malemolência dos músculos
Um compasso quatro por quatro
A noite guardou o brilho
A manhã chegou sorrindo
Às vezes não sabemos o caminho
Nem onde queremos chegar
Talvez eu queira está com você
Talvez eu não entenda como está
O dia está amanhecendo
Um trago agora rasga minha garganta
Às vezes é preciso madrugar pra não sonhar com você.
(Quando o corpo pede insônia)
03h51 terça-feira, quinze de julho.
Cada dia é sempre um dia a menos
Cada trago que cuspo do meu peito
Cada beijo que não roubei
Cada passo que não soube acompanhar
Cada dose de vodca que deixei no copo
Cada dia que não soube viver...
Cada sentimento que não tive
Cada desejo pela metade
Cada porta que não abri
Cada vez que chamei alguém pra dançar
Cada sorriso que não soube olhar
Cada palavra que não soube ler
Cada som é uma nota que se foi
Cada impulso deveria ser seguido
Cada instinto é diferente com o clima
Cada dia é sempre um dia a menos
Cada dia é sempre um dia
Cada dia é sempre
Cada dia.
"Eu não sei em que esquina ela vai me beijar" Raul Seixas
O frio dominava meu corpo e as curvas da estrada me levava mais perto do céu
Eu sempre quero voltar lá...
Meu pensamento devagar organizava as imagens e eu me sentia no meu lar
A noite aos poucos foi acordando
As estrelas e a lua sorrindo me acompanhavam no caminho
A neblina desunia os cílios dos meus olhos vermelhos
A fumaça cobria os pulmões e o álcool aliviava a frieza
O campo verde e úmido
Meus dedos dormentes
As mãos paralisadas
Falta de ar
De vez em quando eu acho que sei como é o céu.
TRISTEREZA
O que comprime a minha dor é tarja preta
Relaxo... em meu rosto lágrimas
O ventilador acompanha a música na tv
Tereza aqui está
O labirinto nas conversas que temos me prende em tuas pernas
Sinto uma força enorme de teu peso em minhas coxas
Ela me abraça me sufoca com seu hálito de álcool
Trago mais um cigarro
Engulo mais um pouco do que prescreve o receituário
Relaxo...
Talvez agora eu esteja escrevendo...
Ainda não consigo dormir
... ... ... ... ... ... ... ...
De vez em quando nós encontramos colecionadores de palavras ;o)
Relaxo... em meu rosto lágrimas
O ventilador acompanha a música na tv
Tereza aqui está
O labirinto nas conversas que temos me prende em tuas pernas
Sinto uma força enorme de teu peso em minhas coxas
Ela me abraça me sufoca com seu hálito de álcool
Trago mais um cigarro
Engulo mais um pouco do que prescreve o receituário
Relaxo...
Talvez agora eu esteja escrevendo...
Ainda não consigo dormir
... ... ... ... ... ... ... ...
De vez em quando nós encontramos colecionadores de palavras ;o)
"Em teu seio, ó liberdade"
Teu corpo por cima do meu, embebedado de suor, desliza
Logo por baixo sinto os murros cadenciados em meus lábios
E um suspiro agudo canta em minha boca
O dia está quase raiando, o céu é rosado feito seu rosto
Os pássaros gorjeiam nos fios e seus suspiros completam a canção
De leve, bem de leve o sono vai nos conduzindo
Em teu peito descanso a minha cabeça
E, talvez, seja por lá que eu queira dormir.
Maybe it's because I'm crazy...
Enquanto só...
Num instante... Num suspiro
Eu respiro... Eu inspiro
Embriago...
Guardo em meu peito o fumaça do último trago...
Passa da meia noite... a solidão não mais me apavora...
De vez em quando a escolha é certa...
Talvez eu não queira ninguém... ou mesmo alguém não me queira
Mas a escolha é o que importa.
O som é imortal
Um grito rebelde em língua estrangeira cantava grunge o que parecia ser eu
No chão da minha terra, o rock rural melancólico e tocante na boca do violão do Sampaio vibrava em harmonias, as doçuras de palavras que se encontravam pelas cordas de aço
O ano era 1994, minha mãe estava a esperar minha irmã...
Eu, nem os conhecia, tinha 6 anos...
Hoje tenho 26 e não consigo viver sem o som deles em mim
Minh'alma grita em poucos acordes o canto da solidão
Ouço um novo blues e penso quantas vezes tentei fazer uma canção de amor
E logo me vem a cabeça "rape me my friend...waste me, rape me, my friend"
A música é silêncio... o ruído no ouvido um tiro no ar
Os labirintos negros cortam meu peito "i feel stupid and cotagious"
Às vezes é preciso... DESPERDÍCIO... DESAPEGO...
É preciso ... IR SOZINHO... RIR SOZINHO
Meu corpo sente em graves acordes uma poesia que canta somente em meus ouvidos...
"And just maybe I'm blame
For all l've heard but I'm not sure"
Quando me fizer os 27 cantarei em acordes dissonantes o grunge melancólico e tudo aquilo que me completa hoje...
Depois de 20 anos Cobain e Sampaio vibram em altos falantes cânticos de tudo que sinto agora...
A carne pode até evaporar-se, mas o som sempre vai permanecer nos ouvidos de quem quiser ouvir
...
Meu corpo vibra em acordes que cantam o que sinto
Dedilho meu violão e me encontro num outro universo
Em que minha voz grita tudo que quer dizer
Um lugar que só eu posso ir
…
Dentro de mim passam ruídos que me balançam
Nessa hora sinto a música movimentar tudo que não consigo explicar
Um arrepio da ponta dos pés a cabeça
E uma extrema excitação muscular faz produzir e compor o SOM
…
Talvez sejam as cordas do violão que me une a eles
As cordas de aço e a poesia marginal
Talvez eu seja um compositor popular
Ou talvez nem saiba o que seja... mas sei que a música me faz ser um pouco dela e estar perto deles.
Talvez eu queira partir...
Do lado dela vejo os olhos de quem irá comê-la naquela noite
E nesse instante tenho vontade de ferir
...
Como ela fez com os meus olhos quando chegou de mãos dadas a mesa
...
Um gole de álcool, misturado ao cigarro deixa meu corpo sensível
Não sei se é loucura, ou razão
Mas bebi até o fim e fumei até me faltar o ar.
...
Na mesa ao lado corações são devorados em chupadas e mordidas sequenciadas
Deito no ombro do amigo e aconchego em seu peito a tristeza que me consumia ali
Não sabia o que fazer, mas chorei
Uma enxurrada de lágrimas passou por dentro do meu corpo tomando toda a felicidade que ainda podia existir
...
Embriaguei... dormi.
Acordei as 06h20 da manhã. Eu exalava o mal cheiro da ressaca.
Talvez eu queira partir... Talvez eu queira... Talvez eu... Talvez...
Livro de contos e cd de Natalhinha Marinho estão disponíveis para download
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As músicas inéditas de autoria da artista possuem variedade rítmica de reggae, samba, marchinha de carnaval, balada romântica, blues, entre outros. Na percussão elementos inusitados, como a utilização do som de risco do isqueiro, dão um tom experimental à música que tem o mesmo nome do álbum "Um sentimento por segundo". É também nesta canção que Natalhinha firma a única parceria de composição do cd, junto com Janeo Amorim e Mahelvson Chaves.
Por Débora Muniz - Jornalista
O
livro e seu primeiro álbum estão disponíveis na Internet
gratuitamente
Literatura
erótica e canções de ritmos variados resultaram nas mais recentes
obras da artista Natalhinha Marinho. Há 07 anos tocando na noite de
Maceió e participando de vários projetos culturais, Natalhinha
lança, pela internet, seu primeiro álbum, intitulado “Um
sentimento por segundo”, acompanhado do livro “Recortes”,
composto por 11 contos.
O
livro e o álbum dialogam entre si. Doses de erotismo e boemia fazem
parte do conjunto da obra. Para Natalhinha, o romantismo e o fluxo de
ideias e sentimentos formam a unidade artística de suas criações.
“Não foi o livro que surgiu do cd ou vice-versa, os dois nasceram
juntos. São personagens fictícios, viagens de casos e acasos,
metáforas com elementos musicais para o erotismo que resultaram nos
contos e músicas”, completou.
“Poucas
Cinzas” é a música que demonstra bem a interação entre o livro
e o cd. O último conto do livro serviu como ponto de partida para a
criação desta música, que fala, da nostalgia da quarta-feira de
cinzas e de maneira irreverente possui elementos de marchinha
carnavalesca e de axé music.
As músicas inéditas de autoria da artista possuem variedade rítmica de reggae, samba, marchinha de carnaval, balada romântica, blues, entre outros. Na percussão elementos inusitados, como a utilização do som de risco do isqueiro, dão um tom experimental à música que tem o mesmo nome do álbum "Um sentimento por segundo". É também nesta canção que Natalhinha firma a única parceria de composição do cd, junto com Janeo Amorim e Mahelvson Chaves.
Magno
Almeida, formado em letras, membro da Cia. do Chapéu, contribuiu com
“Recortes” escrevendo o posfácio. Para ele, o que mais chama
atenção é a literatura “selvagem e livre”. “Os rótulos de
enquadramentos teóricos do texto literário estão cada vez mais
líquidos hoje, coisa que me encanta totalmente porque literatura tem
que, para começo de conversa, ser totalmente ‘selvagem e livre’.
E é justamente dessa forma que te menciono e te enquadro. Eu adoro
esse erotismo, essa pornografia não declarada, mas intencional, essa
passagem da língua pelo corpo, meu, seu, alheio, esporádico. E vi
tudo isso”, afirmou Magno.
O
álbum e o livro lançados virtualmente, através da rede social:
https://www.facebook.com/natalhinha.marinho
e do blog http://natalhinhamarinho.blogspot.com.br/.
O cd foi gravado por Natalhinha Marinho e Janeo Amorim, com
participações dos instrumentistas Chico Torres, Mahelvson Chaves e
Randerson Almeida. Já o livro foi revisado por Renata Czarny e tem
fotografias de Jessyka Benário e Natalhinha Marinho.
Natalhinha
Marinho
Iniciou
seus trabalhos musicais em 2005, com a banda Olorum. Em 2007, montou
o grupo Strada BR que participou de duas edições do Festival
Universitário de Primavera, promovido pela Universidade de Ciências
Médicas de Alagoas (Uncisal). Ainda em 2007 ingressou na Associação
Artística Cia. do Chapéu, ficando responsável pela composição e
execução da trilha sonora do espetáculo “Alice!?” e na
produção musical de outras performances desenvolvidas pela
companhia. Desde 2010 participa do grupo Tridestilados e da banda
Fulô de Maracujá. Atualmente participa do espetáculo “Uma Noite
em Tabariz”, da Cia. do Chapéu; da banda Cazuadinha, acompanha a
cantora Roberta Aureliano, além de desenvolver seus trabalhos
individuais.
É
possível adquirir o cd através do telefone (82) 9913-7794, por
cinco reais, já o livro tem apenas a versão digital disponível na
internet.
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