"Na captura da pessoa que pudesse ser tão boa" (Sérgio Sampaio)



Agora...agora... é o tempo
O tempo embriagou...

Vejo tudo em seus olhos...
Pelo espelho do quarto 
Sua fotografia reflete... e... seu sorisso penetra em meu olhar
Às vezes, me vejo com você
Cantando... bebendo...o whiski velho do armário de casa
Fui à cozinha... peguei um destilado

Agora...agora... é o tempo
O tempo embriagou...

Tranquilidade...sensibilidade
Cheguei a rir do que passava na tv
Mas você não estava
Meu coração esfriou e solidificou
"Depois"¹... ouvia uma nova canção

Agora...agora... é o tempo
O tempo embriagou...

Um instante repulsivo me fez levantar 
Coloquei no rádio nossas canções
Deitei em meu sofá
Enxergando o teto amarelado da luz e a fotografia do lago
Senti uma metamorfose de sentimentos
Que passavam por mim a cada segundo

Agora...agora... é o tempo
O tempo embriagou...

O canto harmonioso que entrava em meus ouvidos
Era misturado ao meu corpo jogado 
No vale de lágrimas do "dry martini" de Braun²
O último gole me cortou a garganta e o peito

Agora...agora... é o tempo
O tempo embriagou...ou fui eu!?

"De dia, vou me mostrar de longe. De noite, você verá de perto" (Tiê)


As luzes amarelas da cidade estavam acesas
A sombra dos postes atravessavam a cena
Via seu corpo juntar-se milímetro por milímetro
Não havia espaço para movimentos maiores
No vidro rapidamente formou uma camada acinzentada
Seus abraços e o suor misturavam-se aos beijos que devagar iam componho o som
O arranjo melodioso que a língua fazia era completada pela harmonia da música que tocava no rádio 
"Me abriu feito ostra e colheu minha pérola" (Sérgio Sampaio)
Envolvia-me em situações que seriam esquecidas ao voltar para o meu lar
O gosto amargo da cerveja era alimentado pelo hálito de nossos beijos
A língua era feito liquidificador ... remexia os desejos... abria os lábios
Depois de batidos éramos bebidos um pelo outro... gole a gole
Os corpos ficaram lânguidos... um cochilo
De longe se via as pessoas caminhando...
O amanhecer... barquinhos balaçavam no mar
E o sol acordava da noite que pouco havia dormido
Eu me escodia em ti... ... ...
No breu do seu coração... ... que se abria apenas à noite
Para que as luzes da cidade pudessem iluminar suas vontades
E, novamente você olhar no fundo dos olhos e penetrar em meus sentimentos
Congelados no coração que amolece nas noites que inventamos novas canções.

Eu tenho um compromisso com o vício ... a embriaguez dos sentimentos me vicia... não sou vencedor... sou vencido.

Segunda a tarde


A sala de estar marca o espaço que passamos a tarde
O barulho da hélice do ventilador atrapalha a música
O violão gasto e empoeirado vibram cordas em acordes melancólicos...
O som é triste... nós estamos um de frente para o outro
Fumamos um cigarro e atentamente nos deixamos levar pelo som
A letra é confusa e causa dor... a solidão
O artista entristece e chora entre os graves e agudos que sua voz dá
Me sinto mais pesada, apesar de voar no pensamento
A tristeza nos devora... conversamos... fumamos outro cigarro
Agora é tudo muito mais solto
A pipa que aparece na janela da sala marca a liberdade
Ouvir, cantar, chorar... podemos fazer o que quiser
Os olhos derramam lágrimas... o cheiro que paira é forte
A lua está cortada pelas nuvens e o escuro do céu aos poucos encobre o azul celeste... as estrelas já estão aparecendo
Me vejo no ar... bebemos um pouco de licor
Nos sentamos na frente da casa...
Enquanto os cães brincam e espalham a terra
A areia sobe... passa na vista... nesse momento mergulhamos nos sonhos que guardamos no lanche da tarde.

Passa das 19h... acendemos outro cigarro e fomos jantar.

Tem dias que a gente quer comer o mundo... e tem dias que o mundo quer te comer

As paredes brancas do quarto... o teto granulado
Os instrumentos ao redor do colchão...
Era o cenário do ninho...
O colchão encarnado era a superfície dos desejos
Dois corpos entrelaçados e quentes
Bravamente trocavam afagos no calor do dia de domingo
A semana começava diferente e excitante...
O lençol estampado que cobriam os corpos 
Eram suas tatuagens espalhadas no rubro cobertor insano...
O vício alcoólico encobria o hálito 
Misturado a fumaça que pairava no ar...
O sabor parecia desejo... 
O desejo parecia sabor...
Os dois corpos eram alimentos 
Trocados de boca a boca... de beijos em beijos
O líquido que corria nos corpos marcava o combate caloroso...
Chegavam quase no fim...
Depois de abatidos...
Seus corpos foram colocados na mesa no café da manhã da segunda feira.

Lá fora o sol abre a janela e o latido dos cachorros se mistura ao barulho dos carros na rua.

Às vezes o mundo quer nos comer... nos tornamos alimentos uns dos outros... às vezes queremos comer o mundo... sentir os sabores... e alimentar-se dos desejos que os outros querem nos dá.

Falando com você



Um apego ao olhar que penetrava fortemente no meu cristalino
Dizia palavras que o significado parecia claro para mim
Às vezes, eu acho que falo sem voz... acho que todos falamos
Por isso prefiro falar te olhando
Porque teu olho responde a tudo que quero saber
Tudo que não sei perguntar...
Levando "flechadas do teu olhar"
Mergulhei nas músicas que escutamos
E no silêncio que minha boca fazia ao desejar a tua...
Meus olhos arriados por ti pensava:
Teus lábios ... Teu sorriso... Você
A noite guardou o momento e fez dele especial
É como se o encanto foi pela ausência do que se podia consumir por inteiro
A "vontade" ou o "sonho" de completar-se plenamente em teu corpo
Um corpo que bailava feito uma pipa... livre... leve... discreto
De vez em quando quero voltar lá
Nesse mundo que só eu e você conseguimos nos comunicar. 


Guardei a pipa em meu corpo... 
Sempre lembrarei da leveza que voasse sobre os meus pensamentos.    

Pré-forma ou Sexo, drogas e rock'n roll

Caminho devagar pelos cantos
Espelhos me olham lentamente
Ouço o silêncio nas ruas passando
Vejo arco-íris num círculo branco
Simplesmente assim eu te crio em mim...
Sons, formas, gestos embarcam em mim
Sinto as cordas que vibram
Assim: como uma caixa que soa com o grito da minha voz...
Caço palavras para combinar
Vejo o tempo na linha a passar
Como o trem nas montanhas que fala Raul...
A letra, a música e o meu desejo
Harmonia se abre na escuridão
Ouço cellos, piano baixinho
Os olhos cegos enxergam o sentir
O meu corpo da voltas desalinhando sua forma.

Para o dia da poesia (14 de março) mais um pedaço de mim...
uma forma desalinhada do meu pensamento.

Poesia/Poema para o povo!!!

De mãos dadas

A solidão é minha companheira...
ando até de mãos dadas e vagando pela cidade...
ouço sons, sinto cheiros, experimento comidas
e até músicas eu canto pra ela...
às vezes sinto falta de estar em dois... quem não sente?! 
Mas existem algumas vantagens em estar só...
uma vantagem de andar com ela é que ela é muda e
sempre te escuta sem retrucar
e a maior desvantagem é que ela nos
deixar embrulhar os pensamentos
e se peder no caminho que só ela sabe te levar...
não sei se estou na estrada, mas me pego sentada
a beira do caminho de vez em quando.

O breu do final é o que me apavora... de vez em quando me escondo no ombro 
de uma amiga e me conforto na claridade do dia.. quando a noite chega saio
nos bares da cidade procurando destilar meu coração.

Só você sabe...




Só você sabe...
Da sexta feira que trazia a escuridão iluminada de brilhantes no céu....
Só você sabe...
Eu pensava apenas no quarto que dormiria naquela noite...
Só você sabe...
A hora de deitar-mos...
Só você sabe...
Das estrelas que passavam pelo vidro da janela e caía sobre nós...
Só você sabe...
Da tua boca procurando a minha...
Só você sabe...
Da minha pele na tua e um cheiro único para nós...
Só você sabe...
Do teu sorriso e um olhar que de vez em quando parecia devorar-me
Só você sabe... só você sabe... só você sabe...
Guardo em mim...
Só você sabe...
O sussuro da tua voz que baixinho de vez em quando fala:
Só você sabe...


"Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade"

Um olhar mágico



Em passos lentos subo a ladeira 
Escuto sons e o cheiro da fumaça aquece os corações de quem lá está...
Respirando o ar das ervas que cozinham na água
Vejo o infinito no chão coberto pela grama verde que sai do seu quintal...
Um anjo, no diminutivo da palavra, tinha em sua casa a fotografia do mar em dimensões jamais vista por mim 
Sentia um prazer enorme em cantar olhando para aquela imensidão azul que completava meu som com o barulho constante de suas ondas sonoras...
Que bom seria se o tempo estacionasse...um pouco mais... ... ... ... 
Enquanto a noite chegava e adormecia sobre minha cabeça as estrelas
Eu, cada vez mais, me sentia conduzida a olhar o leve movimento delas no passar das horas
Até pensei em conversar com elas... mas não falava sua língua...
Tentava não ouvir mais nada que viesse da terra...nada mesmo...o único som que me interessava era o diálogo entre elas... queria entender... ... ... ...
Em vão... então gritei silenciosamente... logo pousou no braço uma estrela
Um estrela diferente... dentro de uma circunferência ela deixava de brilhar ficando da cor da noite
Eu sabia... ela dizia algumas palavras... e em silêncio eu as traduzia em teu olhar
Descansei... Joguei meu corpo no leito verde... acordando dentro da paisagem fria do dia de domingo.

Incrível!!!! A única palavra que consegui para descrever o entardecer e amanhecer do meu último final de semana.


Ps.: ainda permanece em meus ouvidos os sons (in)tranquilos das notas agudas que meu violão dá de vez em quando.


  

para Natalhinha Marinho

Em profundos mundos se abastece
De neve tira pedaços de tristeza
Que em fogueiras trata de amar
Cilada perfeita dos inconstantes
Orgulho impresso em razão suprema.

Gustavo Félix

Muito obrigado Guga...te adoro.
esse post é de Gustavo Félix - entreolhares.blogspot.com

Ôôô carnaval ... folia, diversão e fantasias


Os confetes, as serpetinas, as fantasias, 
Os frevos, as marchinhas...
Ôôô carnaval do meu lugar
Felicidade, diversão...
De noite, de dia...
Com o pinto no escurinho ... hahaha
Como seria bom... Maravilhoso
Bem gostoso...

"O samba tocou lá no fundo do meu quintal
E a menina mais bonita dispensou seu carnaval
Pra ficar comigo
Sem fantasias, fitas e fitilhos
Meu samba é assim
Tem cuíca, tem ganzá 
E a noite toda só pra mim
Sou malandro e toco violão
Amo uma loira gelada
E odeio briga e confusão"
(Letra de uma música feita por mim e mais três amigos (William Rocha, Rodrigo Nêgo e Jocasta Gonçalves... saudades de todos)

Agora depois das prévias só
o bloco Cara de Pau, no sábado de Zé Pereira,
em Jequiá para encerrar o meu carnaval...

"Prepare seu flamingo venha venha
Prepare seu flamingo vem dançar
Entre nessa roda é brincadeira
Vem levantar a poeira
Nesse frevo a balançar
É de Maceió, é de Olinda
Vem passando por Recife e parando em Jequiá"
(trecho da música "prepare seu flamingo" de minha autoria)

A folia desse ano será curta
O descanso e a tranquilidade vai ser a opção.



Segredos de liquidificador

Seus olhos negros me comiam o coração 
Queria deixá-lo na mesa para ser seu alimento...
Teus seios fartos e leitosos era meu desejo
Meu olhar embriagado te comia e bebia lentamente...
Meus pensamentos fervilhavam feito fogo de balão
Eu estava a voar...
Pensava nas formas geométricas que meu corpo ia fazer com o teu
Seus segredos eram cuspidos em meus ouvidos feito liquidificador
Hoje guardo em meu pensar o desejo...


Sonho será?? Hum quem sabe ... 


Um desejo, um apego... 
Um nó cego que meu coração quer te dar.

Eu acho que tenho problemas



Penso que às vezes eu preciso estar sozinha, fumando um cigarro, ouvindo uma música e deixando o tempo passar deitada sobre a areia da praia... me disseram que contar estrelas fazia bem... eu acho que gosto disso... o barulho do mar... e o movimento constante das ondas me tranquiliza e renova meu ser... isso me faz feliz...

Estou buscando momentos felizes... tentando viver em um... tá difícil mas tô tentando... de vez em quando me sinto bem feliz assim

As pessoas não se importam com quem é só...
Elas simplesmente se afastam porque acham que temos problemas.


Deixaste um rastro teu no meu jardim

Procurei tentar te esquecer, amor


Não quero que venhas enxugar meu pranto

Não quero mais teu olhar no meu
Nem teu beijo bandido
Escondido entre as paredes do quarto
...
"Não quero mais amores cegos"
Eu já disse isso outras vezes...
Ai quem me dera enxergar as coisas
...
A distância e a amizade ...
Porque eu sempre penso em ti para escrever
Queria te esquecer
Mesmo que por uns instantes...
Acho que preciso tomar um porre
Ou quem sabe adoçar a minha vida
Para esquecer as amarras que deixasse em meu peito
Beber daquele vinho que jogaste em minha roupa

Prefiro deixar-te seguir...
E vou sumir...
Sem deixar rastro no caminho
Vou buscar uma nova rota...
E deixar que meus cachorros apaguem o teu rastro no meu jardim.

Um balanço ao ar livre


Eu tenho um compromisso com o vício
A embreaguez amorosa me perfura a alma
O meu desejo insano de beijar e te deixar beijar está esgotado
Me lembro dos tempos bons e quentes...
Das noites sem luz...
Dos recados guardados...
Dos desejos distribuídos...

Como um pedaço de maçã
E desejo me deleitar novamente sobre ti... não posso
A fonte do pecado é jogada em minhas compras
Penso em comê-la...
Uma minúscula quantidade, apenas o suficente para me levar a ti...
Agora sou Eva...

Me perco no pensar...
Misturam-se hálitos embreagados no lençol de solteiro
Abraço-te ... nossos corpos intocáveis agora entrelaçados
Me faz relembrar...
lembrar...lembrar...


Pobre do meu coração, que não sabe amar assim
É egoísta e fugaz... deixando o rastro para o próximo que for colher flores em meu jardim.

Talvez eu seja idiota por não conseguir ouvir estrelas... me balanço na varanda e fumo mais outro cigarro... a lua inteira agora é um manto negro... SILÊNCIO.

Queria algum momento para não pensar... Talvez seja uma coisa boa


Um dia desses...
Quando a gente pensa que a solidão deu trégua, ela reaparece
Eu...Deitada em almofadas brancas e plumosas sinto ela me abraçar
Não consigo fechar os olhos... Medo
Queria que os momentos felizes, passados a poucos, repetissem inúmeras vezes
A impressão que tenho é que recebo um abraço frio no tempo antecessor do meu ato de dormir...
Queria que fosse mais tranquilo tudo isso
Manhã de hoje... o calor me leva ao mar
Tenho me sentido muito só
Mesmo quando estou com outras pessoas, me sinto aquém dessa felicidade
Que eu prefiro chamar de pseudofelicidade
Na qual esbanjam os corpos sorridentes passando pelas areias
Agora...
Enterro no meu quintal o desejo de ser dois...
Muito me cansa procurar a soma...
A unidade vai ser tudo que vou buscar nesse instante
Quero beber um pouco, me embreagar... talvez...
Um gosto de vinho escorre em minha boca
Vou acender um cigarro e deixar a noite me levar
Feito uma pipa que corre com o vento
Cravo meus pés no chão e penso em todas as novas possibilidades de levar a minha vida.

Os colaterais são os piores efeitos


Não há disfarce que resista aos efeitos colaterais da embriaguez
Todos os setimentos são acionados
Sinto saudades, choro, dou risada...
Até mesmo fico muda... no espaço que vaga em minha cabeça...
Fumo um cigarro...
Olho ao redor e percebo que tudo que me rodeia são retângulos de concreto...
Me perco no vazio suspenso do chão...
Ela, a solidão, dá um nó no meu peito e tudo o que penso
É deitar no sepulcro que guarda minha morte 
Tenho muito medo...MEDO
Muito medo de ter coragem... porque não sou de nada
E não consigo controlar minhas ações.

Preciso sair daqui


A agonia se repete... sinto uma moleza ... deito em meu sofá antes que um súbito clarão me apague e eu caia no chão... não sei bem o que é isso... uma confusão de ideias e impressões... apenas o locutor e sua seleção compõe a trilha sonora da madrugada quente da segunda feira... Penso que preciso é de um ouvido que me escute... Me sinto rodeada e ao mesmo tempo solitária... Preciso de um espaço cerebral em que minhas palavras tornem-se vivas e eu também... Não sei até quando vou aguentar essa solidão...  Espero que isso passe logo... 

De vez em quando eu tenho pesadelos suicídas e isso muito medo me dá... Tenho tentado me distrair para não ter impulsos reais.

Preciso sair do breu do coração de quem amo.