Livro de contos e cd de Natalhinha Marinho estão disponíveis para download

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Por Débora Muniz - Jornalista

O livro e seu primeiro álbum estão disponíveis na Internet gratuitamente

Literatura erótica e canções de ritmos variados resultaram nas mais recentes obras da artista Natalhinha Marinho. Há 07 anos tocando na noite de Maceió e participando de vários projetos culturais, Natalhinha lança, pela internet, seu primeiro álbum, intitulado “Um sentimento por segundo”, acompanhado do livro “Recortes”, composto por 11 contos.

O livro e o álbum dialogam entre si. Doses de erotismo e boemia fazem parte do conjunto da obra. Para Natalhinha, o romantismo e o fluxo de ideias e sentimentos formam a unidade artística de suas criações. “Não foi o livro que surgiu do cd ou vice-versa, os dois nasceram juntos. São personagens fictícios, viagens de casos e acasos, metáforas com elementos musicais para o erotismo que resultaram nos contos e músicas”, completou.

Poucas Cinzas” é a música que demonstra bem a interação entre o livro e o cd. O último conto do livro serviu como ponto de partida para a criação desta música, que fala, da nostalgia da quarta-feira de cinzas e de maneira irreverente possui elementos de marchinha carnavalesca e de axé music.
As músicas inéditas de autoria da artista possuem variedade rítmica de reggae, samba, marchinha de carnaval, balada romântica, blues, entre outros. Na percussão elementos inusitados, como a utilização do som de risco do isqueiro, dão um tom experimental à música que tem o mesmo nome do álbum "Um sentimento por segundo". É também nesta canção que Natalhinha firma a única parceria de composição do cd, junto com Janeo Amorim e Mahelvson Chaves.
 
Magno Almeida, formado em letras, membro da Cia. do Chapéu, contribuiu com “Recortes” escrevendo o posfácio. Para ele, o que mais chama atenção é a literatura “selvagem e livre”. “Os rótulos de enquadramentos teóricos do texto literário estão cada vez mais líquidos hoje, coisa que me encanta totalmente porque literatura tem que, para começo de conversa, ser totalmente ‘selvagem e livre’. E é justamente dessa forma que te menciono e te enquadro. Eu adoro esse erotismo, essa pornografia não declarada, mas intencional, essa passagem da língua pelo corpo, meu, seu, alheio, esporádico. E vi tudo isso”, afirmou Magno.

O álbum e o livro lançados virtualmente, através da rede social: https://www.facebook.com/natalhinha.marinho e do blog http://natalhinhamarinho.blogspot.com.br/. O cd foi gravado por Natalhinha Marinho e Janeo Amorim, com participações dos instrumentistas Chico Torres, Mahelvson Chaves e Randerson Almeida. Já o livro foi revisado por Renata Czarny e tem fotografias de Jessyka Benário e Natalhinha Marinho.   


Natalhinha Marinho

Iniciou seus trabalhos musicais em 2005, com a banda Olorum. Em 2007, montou o grupo Strada BR que participou de duas edições do Festival Universitário de Primavera, promovido pela Universidade de Ciências Médicas de Alagoas (Uncisal). Ainda em 2007 ingressou na Associação Artística Cia. do Chapéu, ficando responsável pela composição e execução da trilha sonora do espetáculo “Alice!?” e na produção musical de outras performances desenvolvidas pela companhia. Desde 2010 participa do grupo Tridestilados e da banda Fulô de Maracujá. Atualmente participa do espetáculo “Uma Noite em Tabariz”, da Cia. do Chapéu; da banda Cazuadinha, acompanha a cantora Roberta Aureliano, além de desenvolver seus trabalhos individuais.

É possível adquirir o cd através do telefone (82) 9913-7794, por cinco reais, já o livro tem apenas a versão digital disponível na internet.



Do céu um sorriso lindo ... um riso de graça



Queria um canto
um canto para cantar
um canto sem canto
um canto para sentar
um canto para falar
um conto para comprar
um canto no canto...

A lua sorridente as três do céu do domingo
Azul da água via-se
Barcos atropelando limites
Corpos pesados agora submersos nas correntes

Ouvíamos todas as partes do corpo

O ar que entrava de leve pelas narinas
Era confundido com o vento que soprava as águas mornas

Um instante interrompido pelo berro de quem gritava fora das águas para sair.

Um canto, sem canto, nem conto para pagar... um conto que quero do mar.

No dia de domingo se esperam várias coisas, dentre elas uma ligação... com o MAR.

Praia do Saco

Eu confundo certo com errado



Olhei bem perto dos seus olhos
A distância reduzida numa tela de computador

Confundindo as imagens que vejo no espelho
Embarcando no barulho uníssono do instrumento na caixa...

Um impulso arremessado pela fumaça do cigarro
Um som grave um acorde em ré menor
Inicia a série de notas acompanhadas pela leitura do que você dizia

Me vi cantando no ouvido cortado pelo piercing
Atravessando os fios de fibra óptica que levam a imagem
Numa consonância de acordes que cantam o som que agora faz de mim parte

Um canto só... confundi e flui

"Nas cordas do instrumento que canta em voz alta grita um berro distante de quem não sabe o que fazer... uma confusão... nem sei o que... CONFUNDI"
 

Um olhar que me olhava como se fosse o meu


Um olhar de ressaca bateu no meu
O espelho dos teus olhos refletiu em meu pensar
Um sossego... um apego...
Um desejo...

No cristalino de seu olhar que vaga sozinho
onde ninguém pode achar
E, só aparece quando achas o que há dentro das entranhas de toda alegria e dor que guarda no fundo do peito


Chorando o que não se teve
O que teria... ou talvez nunca

Nunca soubesse se a amava mesmo...
Se sabias amar...
Ou apenas amava.

"Meu corpo agora é nicotina e álcool... fumaça e
fogo"

Escrevo para quem não conheço...

Alguém que achei com o olhar
Que no fundo dos olhos guarda a felicidade que um dia poderemos compartilhar juntos.

Quem sabe um dia isso termine bem =))

"Me dá um nó na garganta... choro até secar a alma de toda mágoa"



"Venha sugar o calor de dentro do meu..."

Uma constante vontade de voltar lá
E enroscar nos teus cabelos...
Sentir ... o cheiro...
E ter teu olhar no meu mais uma vez
Só uma... para falar e dizer tudo que sinto

Um canto só no canto bate em meus ouvidos
Acordes dissonantes produzidos de harmonias descompassadas
Entre as notas da canção que escuto agora
É o paralelo do aperto  que dói o meu peito
Não sei direito o que devo fazer... te ligo... ou nem ligo
Um novela de pesadelos suicidas assombra minhas noites
Tenho sentimento de ciúmes consumindo o meu ser
Me vejo sem você toda vez que estamos entre os outros
Não aguento mais....preciso te esquecer   
Grito em silêncio nas paredes do lar
Um sopro sem som alimentado de álcool e fumaça que passa na minha garganta enquanto escrevo.


Para ela que faz samba e amor até...
e fica com muito sono de manhã.

Sua meta é a seta no alvo. O alvo ... espera


Se nós dois falássemos
Talvez nós dois fossemos um

Se nós dois...
Nós dois...
Dois...
Se?!

Uma dúvida que persiste a cada encontro
A cada chegada
A cada partida
Uma parte sempre a pensar
No que seria se os dois topassem ser um

1+1= 2?!
1+1= 1!? 
O que será?!

"Mas compreendi que além de dois existem mais"



A excitação dos lábios dava-se com o compasso ritmado de sua língua em minha boca
Penetrava feito liquidificador em meu céu derrubando as estrelas ... 

Da boca o som ecoava embalados entre gemidos e pedidos
As mãos rapidamente dedilhavam sobre a pele em semi-colcheias
Um passo...compasso...descompassado...ritmado...
3/4...2/4...4/4
 
Melodias soam nas veias do peito
Graves e agudos atropelados pelas sonoridades dos corpos
Uma dança pele a pele... suor e calor...
Os agudos marcam o pico do prazer

O remexo do seu corpo no aperto da blusa branca lançou um tiro em meu olhar
Um libido instantâneo atravessou meu pensamento
Mordia suas armas e por um descuido me peguei em traição.  

"Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais..." R.S./P.C.

"Acabei de achar uma rachadura na sua poesia concreta" Sex Beatles


Nunca pensei em comê-la
Cinco segundos de um sorriso safado ...
...
   ...
...E no pensamento deslizou o gozo dos meus desejos

...
Meu olhar te flechava e penetrava em todas as partes escondidas por suas vestes
...


Uma dormência em meus lábios entorpecida pelo arco íris da sua blusa...
O bico do peito apontava arma em minha direção
Desviei na bifurcação de suas pernas e bebi mais um gole do teu ser...
...
...
...

Debrucei no balcão, pedi mais uma ...

...Num descuido...
Um suspiro destilado soprou meu cangote. 

"Mulher enlouquece minh'alma
Tira a calma
E me faz chorar
Essa dor que me deixa pelos cantos
Enxuga meu pranto
Dá teu colo para eu deitar
Em cada esquina um homem te espera
Bebendo e fingindo te escutar
Fica comigo mulher sem razão
Me dá teu olhar e teu beijo 
Que eu te dou minha mão (e meu violão)"
 

"E os meus olhos pedem teu olhar" (Dominguinhos e Anastácia)


Eu não sabia o que estava fazendo exatamente... mas estava lá
Para olhar no fundo dos seus olhos...
E olhei... penetrando minha visão inteiramente em sua face... me perdi
Uma alma vadia parecia consumir todo meu corpo
Pouco a pouco... bebia com volúpia
E, logo embebedei... uma, duas, três... várias doses

Busquei levar meus pensamentos para bem perto de ti
Teu sorriso... Ah, que lindo!!!
Guardei da noite o silêncio de nossas bocas... o gosto doce em meus lábios

A trilha sonora que embalou a noite invadiu meus sonhos
Via-me por lá novamente
Nesse lugar que eu e você habitamos quando estamos cara a cara
A saudade logo bate em meu peito... quero teu olhar... 

Um instante... 
                   Me olha...
Me leva...  
             Como uma pipa...


"Em nome de Deus me carregue me pregue em sua cruz" (Sérgio Sampaio)

"Luz nos meus olhinhos... luz nos meus olhinhos"


Uma fumaça passa pelo vidro do carro
O vento pela janela é frio

Às vezes me sinto uma alma vadia
Com olhos de lince e brilho rubro

O som do bar que paramos era rock
Canções de Legião de Titãs cobria o áudio das TVs ao redor
Aos poucos artistas e músicos dividiam a plateia e o palco
O riso e a surpresa estamparam nossas caras
O dia de branco agora colorido com as luzes da noite
Um gole...mais outro... agora uma coca
Pagamos... Pegamos o carro e voltamos aos lares
Na porta da segunda deixei uma flor
No jardim elétrico da casa do meu amigo...


E assim foi o inicio...
A noite guardou o sono 
A manhã o bom dia...
E a tarde nublada meu mundo vazio.

De volta ao lar... ainda perdida no pensamento
Escuto Céu e tento ouvir estrelas
De vez em quando eu converso com Clarice
Contamos algumas estrelas... às vezes elas caem e fazemos pedidos.

"O grande escândalo sou eu aqui só" (Caetano Veloso)


Eu gosto da solidão
Mas às vezes a gente não se dá bem
Ficar com ela me deixa angustiada, de vez em quando
Não pense que gosto de muita gente também
Prefiro muitas vezes estar nesse meu relacionamento com a solidão
Ela me deixa livre sempre que peço
Nunca me obrigou a não ir para os lugares
Mas muitas vezes não foi aos lugares comigo
...
Quando penso que estou ficando louca
É porque nossa relação está cada vez mais forte
Parece uma esquizofrenia 
...
Talvez eu seja assim...
Às vezes só...
Com muita gente...
Mas no fundo em busca de um novo espaço
Um lugar no qual habito quando a fumaça corta meus olhos
E derrete os meus sentimentos 
Feito o fogo da última ponta.

Para: "ele que dizia que queria morrer doce quando o mundo acabasse em mel"

Uma leve brisa soprava os rostos na tarde de sábado
O ar frio e denso impulsionava os pulmões
Uma fumaça leve e constante cortava nossos olhos
O vermelho mar de flores era rodeado por ipês
E as cordas de náilon cantava os acordes da nova canção

Uma viagem... uma música... uma nova sensação
Dois dias...duas pessoas... 2/4
Três idas ao Mar... três notas musicais 


"Estou aqui sentado no chão
Bicando o céu, fumando só
Então pensei por que não viver aqui" (Mutantes)

A trilha era embalada pelo ronco do carro e um rock'n roll psicodélico
Um gole de água doce passava em nossos lábios
E o brilho da cidade penetrava em meu olhar...
As serras e breus escondidas nos verdes ao redor
era o caminho do silêncio em par com a escuridão do céu estrelado.

"Preparar a água,
     secar o mar,
           secar o bar:

naufragar é preciso" (Afonso Sarmento)

Um naufrágio nos líquidos ingeridos no último fim de semana
Embriaguei... Serenei...Cantei...Senti...

"sem filtro jogado na grama um corpo vadio"



Cores...Tons...
        Flores...Matos...Terra...
                 Fumaça...Neblina...Um cigarro...
                                                            Uma nova canção...

O bloco de algodão (doce) que passava na tarde do último fim de semana hoje é marcado pelo teto de papel marchê da minha sala de estar... fumo um cigarro e escuto os sons dos ônibus que passam na outra rua... sinto falta do silêncio... SILÊNCIO... preciso voltar lá.


Viçosa e Mar Vermelho... ainda guardo em minha pele as sensações do último final de semana

"Quando te vi não deixei escapar"


Derreti os meus desejos quando me deparei com teu olhar
Busquei penetrar minhas vontades no silêncio
SILÊNCIO...SILÊNCIO...
O vento batia em meu rosto e minh'alma parecia abraçar a tua
A melodia entrava em nossos ouvidos 
Os olhos dançavam...
O desejo se abria na noite
As luzes cortavam a cidade...
O balanço das árvores era compassado ao movimento dos cabelos
A harmonia devagar era formada
E aos poucos novas partituras corporais iam se descobrindo
Dois corpos... dois seres... dois desejos... ou apenas um!?

"Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior
Com todo o mundo podendo brilhar no cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras sou muito romântico" (Caetano Veloso)


"De noite, em minha cama, busquei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei" Cânticos 3:1



O volume alto me fez notar as diferentes tonalidades entre os sons produzidos pelos corpos... aos poucos eles saem da sala de estar e passam para o leito retangular
Um sobre o outro... pernas feito nó... o suor escorria pelas costas... e a língua logo depois pelas pernas... seu som era rápido e harmonia se dava com os sussurros compassados e excitantes de quem estava por baixo...

Não resisti traguei mais outro... e outro... 

Seu ar entrava e soprava em meu peito deixando-me com uma forte vontade de dilatar meu desejo de me fazer tua
Não sabia muito bem como seria
A certeza que guardava era que poderia ser o que me deixasse ser
Bastasse uma chance... uma apenas
Deixar meu corpo com o teu apenas de vez em quando saturava a vontade que eu tinha em poder sempre estar junto

Recordava as ligaduras que meus dedos dedilhavam 
Os sons que produzíamos... nós... dois corpos compostos de som e silêncio
De pausas e compassos desordenados mas afinados em diferentes tons 

... O SILÊNCIO... O SILÊNCIO...O SILÊNCIO...

Não se escuta carros ou gente conversando nas portas
O que se vê da janela é o engradado que marca os fios da rua
A neblina encobre metade da cena 
O clima é frio... sinto uma tristeza feito blocos de gelo
Que me deixa presa e com medo
São 04h07 meus olhos parecem pesar
Ainda busco o último trago... não consigo dormir
Mesmo com os olhos carregados meu pensamento vagueia no espaço
 
Algo volúvel... quase nada se guarda... e o vazio ataca

Ainda sinto sua falta...

"Destilei meu coração 
Com uma dose de licor de chocolate
Me embriaguei por ti
Meu amor, por favor
Me perdoa, volta amor" 

"Já que não te tenho por perto eu vou..."

Talvez seja amor ou eu nem saiba exatamente o que seja

A luz e a fumaça que penetram minhas veias
É misturada ao sangue ralo que passa em meu peito
O sentimentos embrulhados na minha cabeça
Feito uma onda gigante é ativado com o álcool
"A cada segundo sinto os sentimentos mudarem"

Toco uma canção... bebo mais um drink
Sento e me balanço
Vejo-me bem perto de ti
Perto do seu coração ...
Às vezes me escondia por lá

Fico perdida sem ti
As palavras... os beijos... minha língua... tua boca
Boca que muitas vezes era céu
De estrelas cadentes que guardava em meus lábios
E desejava eternidades nos instantes em que caiam sobre mim...Fazia pedidos... desejava... 

O vermelho compõe o retrato... 
A penumbra da noite encobre o segredo
Um cigarro vagabundo alimenta meus pulmões
Meus olhos até comiam seu coração
Seria o Prato (per)Feito do meu último jantar...
...

"Pra lembrar que deixei um romântico 
No cine da sessão das 1o
Pra ficar contigo"
...
Talvez eu nunca tenha coragem
Mas nunca é algo feito "para sempre"
Não acredito muito nessas coisas
...
Nossos corpos... mãos... braços... coxas...os dedos que passavam pela face...
...
"A cama e as quatro paredes
Nossa sala escura
Um cinema pra nós"

Uma pipa voa em mim...
Os desenhos feitos na pele...me lembra o lençol estampado da última noite.

Me sinto embriagada... embriagada dos sentimentos ativados com o álcool...
Um brinde... aquilo que achamos que possa ser o amor...tin...tin!
 

"É justamente o que eu preciso... Quero de amor me embriagar" (Malacada- Salomão Miranda)

O som do apito soava compassado em meus ouvidos
"De que vale a languidez carnavalesca" Malacada¹
O samba embalava a noite de domingo
Os passos percussivos cobriam o salão
O rangido da sandália, o remexo do pandeiro
O surdo com seu grave batia em meu peito
Senti um medo e uma vontade 
De entrar no compasso da dança
O círculo vermelho da Rosa
Agrupava os acordes corporais
Que no balanço musical entrava em harmonia com olhares dissonantes 
Que vagavam pela rua desde o último carnaval.

¹Música de Salomão Miranda, interpretada pelo grupo Malacada

Uma noite no Bar La Rosa Mossoró ouvindo o grupo de samba Malacada.

"Na captura da pessoa que pudesse ser tão boa" (Sérgio Sampaio)



Agora...agora... é o tempo
O tempo embriagou...

Vejo tudo em seus olhos...
Pelo espelho do quarto 
Sua fotografia reflete... e... seu sorisso penetra em meu olhar
Às vezes, me vejo com você
Cantando... bebendo...o whiski velho do armário de casa
Fui à cozinha... peguei um destilado

Agora...agora... é o tempo
O tempo embriagou...

Tranquilidade...sensibilidade
Cheguei a rir do que passava na tv
Mas você não estava
Meu coração esfriou e solidificou
"Depois"¹... ouvia uma nova canção

Agora...agora... é o tempo
O tempo embriagou...

Um instante repulsivo me fez levantar 
Coloquei no rádio nossas canções
Deitei em meu sofá
Enxergando o teto amarelado da luz e a fotografia do lago
Senti uma metamorfose de sentimentos
Que passavam por mim a cada segundo

Agora...agora... é o tempo
O tempo embriagou...

O canto harmonioso que entrava em meus ouvidos
Era misturado ao meu corpo jogado 
No vale de lágrimas do "dry martini" de Braun²
O último gole me cortou a garganta e o peito

Agora...agora... é o tempo
O tempo embriagou...ou fui eu!?

"De dia, vou me mostrar de longe. De noite, você verá de perto" (Tiê)


As luzes amarelas da cidade estavam acesas
A sombra dos postes atravessavam a cena
Via seu corpo juntar-se milímetro por milímetro
Não havia espaço para movimentos maiores
No vidro rapidamente formou uma camada acinzentada
Seus abraços e o suor misturavam-se aos beijos que devagar iam componho o som
O arranjo melodioso que a língua fazia era completada pela harmonia da música que tocava no rádio 
"Me abriu feito ostra e colheu minha pérola" (Sérgio Sampaio)
Envolvia-me em situações que seriam esquecidas ao voltar para o meu lar
O gosto amargo da cerveja era alimentado pelo hálito de nossos beijos
A língua era feito liquidificador ... remexia os desejos... abria os lábios
Depois de batidos éramos bebidos um pelo outro... gole a gole
Os corpos ficaram lânguidos... um cochilo
De longe se via as pessoas caminhando...
O amanhecer... barquinhos balaçavam no mar
E o sol acordava da noite que pouco havia dormido
Eu me escodia em ti... ... ...
No breu do seu coração... ... que se abria apenas à noite
Para que as luzes da cidade pudessem iluminar suas vontades
E, novamente você olhar no fundo dos olhos e penetrar em meus sentimentos
Congelados no coração que amolece nas noites que inventamos novas canções.

Eu tenho um compromisso com o vício ... a embriaguez dos sentimentos me vicia... não sou vencedor... sou vencido.